terça-feira, 13 de novembro de 2018

A teoria da aprendizagem social


A aprendizagem social é algo mais do que uma aprendizagem que tem lugar na sociedade.(...) Num sentido amplo, todas as nossas aprendizagens são aprendizagens sociais, mediadas culturalmente, na medida em que se efectuam em contextos de interacção social: nas relações familiares, na escola ou nas situações laborais e profissionais. (...) Comportar-se em sociedade requer não só dominar certos códigos de intercâmbio e de comunicação cultural, como dispor de certas capacidades para lidar com situações sociais conflitivas ou não habituais.(...) A teoria da aprendizagem social de Bandura desenvolve a ideia (...) de que a modelagem se produz de forma contínua na nossa vida social, de forma mais implícita que explícita, e conduz tanto à aquisição de comportamentos novos, quer desejáveis, quer indesejáveis, como à desinibição de outros.

Municio, I., Aprendices y Maestros

De onde vem a violência?


















Os cientistas entram em conflito: o homem é violento por natureza ou a sociedade é que o faz assim?

super interessante

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Não nascemos humanos?


Na verdade, o comportamento, no homem, não deve à hereditariedade específica uma parte tão importante como nos outros animais. O sistema de necessidades e de funções biológicas, legado pelo genótipo, na ocasião do nascimento, aparenta o homem a qualquer ser animado, sem o caracterizar nem o designar como membro da “espécie humana”. Em compensação, esta ausência de determinações particulares é perfeitamente sinónima da presença de possibilidades indefinidas. A vida rígida, determinada e regulada por uma dada natureza, substitui-se nesse caso pela existência aberta, criadora e ordenada de uma natureza adquirida.

L. Malson, As Crianças Selvagens

domingo, 11 de novembro de 2018

Mal-estar na Civilização


A civilização tem de utilizar esforços supremos a fim de estabelecer limites para os instintos agressivos do homem e manter as suas manifestações sob o controle de formações psíquicas reactivas. Daí, portanto, o emprego de métodos destinados a incitar as pessoas a identificações e relações amorosas inibidas na sua finalidade, daí a restrição à vida sexual e daí, também, o mandamento ideal de amar ao próximo como a si mesmo, mandamento que é realmente justificado pelo facto de nada mais ir tão fortemente contra a natureza original do homem. A despeito de todos os esforços, esses empenhos da civilização até hoje não conseguiram muito.

(...) Se a civilização impõe sacrifícios tão grandes, não apenas à sexualidade do homem, mas também à sua agressividade, podemos compreender melhor porque lhe é difícil ser feliz nessa civilização. Na realidade, o homem primitivo achava-se numa situação melhor, sem conhecer restrições aos seus instintos. Em contrapartida, as suas perspectivas de desfrutar dessa felicidade, por qualquer período de tempo, eram muito ténues. O homem civilizado trocou uma parcela das suas possibilidades de felicidade por uma parcela de segurança.

Sigmund Freud, Mal-estar na Civilização

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

O Homem é um ser biocultural


Dizer que o homem é um ser biocultural não é simplesmente justapor estes dois termos, mas mostrar que eles se coproduzem e que desembocam nesta dupla proposição: todo o ato humano é biocultural (comer, dormir, defecar, acasalar, cantar, dançar, pensar ou meditar); todo o ato humano é, ao mesmo tempo, totalmente biológico e totalmente cultural. Comecemos pelo primeiro ponto: o homem é um ser totalmente biológico. Antes de mais é preciso ver que todos os traços propriamente humanos derivam de traços específicos dos primatas ou dos mamíferos que se desenvolvem e se tornam permanentes. Neste sentido, o homem é um superprimata: traços que eram esporádicos ou provisórios no primata - o bipedismo, a utilização de utensílios e mesmo uma certa forma de curiosidade, de inteligência, de consciência de si, tornaram-se sistemáticos no homem (...). Falta mostrar agora que o homem é totalmente cultural. Antes de mais, é preciso recordar que qualquer ato é totalmente culturizado: comer, dormir e mesmo sorrir ou chorar. Sabemos bem, por exemplo, que o sorriso do japonês não é igual à gargalhada do americano! E a coisa mais espantosa aqui é que os atos que são mais biológicos são precisamente os que são os mais culturais: nascer, morrer, casar, (...). 
Edgar Morin, A Unidade do Homem

domingo, 4 de novembro de 2018

A Criança Selvagem


Nas regiões da Índia, onde os casos de crianças-lobos foram relativamente numerosos, descobriram-se, em 1920, duas meninas - Amala e Kamala de Midnapore - que viviam numa família de lobos. A primeira, a mais nova, morreu um ano depois; a segunda, Kamala, que deveria ter uns oito anos, viveu até fins de 1929. Segundo a descrição do reverendo Singh, que as recolheu, elas nada tinham de humano, e o seu comportamento era semelhante ao dos pequenos lobos, seus irmãos: incapazes de permanecerem de pé, caminhavam a quatro patas, apoiadas nos cotovelos e nos joelhos para percorrerem pequenos trajetos e apoiadas nas mãos e nos pés quando o trajeto era longo e rápido; apenas se alimentavam de carne fresca ou putrefacta, comiam e bebiam como os animais, acocoradas, com a cabeça lançada para a frente, sorvendo os líquidos com a língua. Passavam o dia escondidas e prostradas, à sombra; de noite, pelo contrário, eram ativas e davam saltos, tentavam fugir e uivavam, realmente, como os lobos. Nunca choravam ou riam, característica que se encontra em todas as crianças selvagens. Reintegrada na sociedade dos Homens onde viveu oito anos, Kamala humaniza-se lentamente, mas, note-se, sem nunca recuperar o atraso: passaram seis anos antes de conseguir caminhar na posição ereta. Na altura da morte apenas dispõe de umas cinquenta palavras. (...) Segundo outro observador, o bispo Pakenham Walsh, que viu Kamala seis anos depois de ser encontrada, a criança não tomava qualquer iniciativa de contacto, nunca utilizava espontaneamente as palavras que aprendera e mergulhava numa atitude de total indiferença, mal as pessoas deixavam de a solicitar.

Reymond-River, O Desenvolvimento Social da Criança e do Adolescente

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Sonho

                                  
    À luz das ciências naturais, os sonhos são interpretados como excitações inconscientes da imaginação enquanto estamos a dormir. Este fenómeno ocorre na fase do sono conhecida como REM –movimento rápido dos olhos. Durante esta fase, a respiração torna-se mais rápida e irregular e os músculos tornam-se completamente imóveis. Esta fase decorre em cerca de 20% do sono e começa entre 70 a 90 minutos depois de adormecer.
    A Psicologia, por outro lado, centra-se mais na interpretação do sonho, por considerar que nos dá informações importantes sobre o modo de vida do indivíduo.
    A tentativa à interpretação do sonho foi iniciada por Sigmund Freud, quando este médico neurologista escreveu o livro “A Interpretação Dos Sonhos”. Neste livro, Freud divide a nossa mente em consciente e inconsciente, defendendo a tese fulcral de que “o sonho é a realização de um desejo”.
Freud acredita que os sonhos (o inconsciente) seguem uma lógica própria, diferente, mas, no entanto, familiar em relação à lógica do nosso quotidiano (o consciente) cuja lógica já reconhecemos.
Ou seja, o sonho, para Freud, seria a maneira encontrada pelo nosso consciente para comunicar os seus desejos à consciência. E para o significado dos sonhos ser corretamente interpretado era necessário um profissional para expor o desejo neles dissimulado.
    Estes conflitos da mente, segundo a teoria de Freud, envolviam algum trauma de natureza sexual. Esta ideia é o principal alvo de críticas a esta teoria.
Carl Jung, psiquiatra suíço e seguidor das ideias de Freud, representa também uma corrente importante no estudo da interpretação dos sonhos.
    Jung constatou que a criação de símbolos era fundamental para a compreensão da natureza humana.
    Ao contrário de Freud, Jung procura uma análise mais conclusiva da questão, valorizando bastante as imagens e os sinais durante o sono. Para ele, a imagem, as metáforas e os símbolos seriam a exibição do inconsciente.
    Jung considera que os sonhos ajudam a entender a personalidade do indivíduo e até o modo como resolve as diversidades com que se depara na vida.
    O sonho possui uma enorme variedade de princípios que tentam dar resposta a questões essenciais, mas nenhum completamente desenvolvido. A Psicologia dispõe de conhecimentos e metodologias que permitem trabalhar com o indivíduo na interpretação dos seus sonhos, contudo é de ressalvar que tudo deve ser entendido e integrado num contexto, desta forma, deve considerar-se que esta metodologia é de carater individual e não exato.


Maria Inês Garrido Lanhoso de Castro